Antes de irmos, coletei informações com a Clarice, em quem eu confio plenamente porque conheço o gosto dela e ela o meu, e a Bruna falou com alguns amigos paraenses também. Baseado nisso, montamos nosso roteiro. Engraçado que as dicas foram praticamente as mesmas. Até os lugares bem escondidos foram citados por todos.
A fama que Belém tem em Manaus é de uma cidade perigosa, violenta, infestada de ladrões. Conversei com algumas pessoas locais antes de irmos para nos certificarmos e nos sugeriram que fossemos precavidos.
E realmente, a principal coisa que fizemos por lá foi tentar não sermos assaltados. Quando sobrava tempo, a gente conhecia alguns lugares. Uns legais, outros muito legais e outros que eram perda de tempo.
Chegamos na 5a de noite, muito tarde. Pegamos um táxi, cujo motorista era muito kamikaze, e fomos direto para o hotel. Tentamos botar a cara na rua depois do check-in, mas não havia vida por perto. Voltamos para o quarto para uma boa noite de sono. Ficamos hospedados no Hotel Grão Pará. Tenho que ser sincero, no site ele parecia bem melhor. É um hotel antigo, com serviço ruim e com um café da manhã bem pobre. Sua maior vantagem é a localização, bem em frente à Praça da República.
Na 6a saímos de manhã e fomos conhecer o Theatro da Paz, na Praça da República. Bem legal. Ele é um pouco mais antigo que o Teatro Amazonas em Manaus. Eu particularmente gostei muito dele por dentro.

Depois, andando, fomos até a Basílica de Nazaré, muito visitada na época do Círio, e o parque Emílio Goeldi. O parque foi recomendado por muitos, mas foi uma das maiores decepções da viagem. Está havendo uma grande reforma, então o aquário e a casa dos répteis estão fechados. O peixe-boi morreu de velhice, não tem restaurante e pouca informação. Frustração.
Resolvemos ir andando até as Docas e almoçar por lá. O local é muito bonito, visual deslumbrante, todo conservado, seguro, às margens da Baía do Guajará.

Andamos por alguns restaurantes e só encontramos pratos caríssimos, coisa para gringo. Acabamos desistindo. Imaginávamos que poderíamos encontrar locais com boa comida e mais baratos mais tarde.
Em seguida partimos para o Mangal das Garças. Pegamos um ônibus perto das Docas e a cobradora deixou a gente na cara do gol. O Mangal das Garças é um parque em um dos cantos da cidade.

Tentamos almoçar por lá também, mas preços impraticáveis nos forçaram a comer um salgadinho mesmo. Do lado do parque fica o Mormaço, local onde rola um carimbó nervoso, mas essa semana a casa só abriria no domingo por conta do falecimento do dono. Ficou só no visual então.
Voltamos ao hotel em um ônibus que tinha um malandro muito estranho. Todos no coletivo ficaram assustados com a presença do cara. Eu realmente pensei que fosse haver um assalto e comecei a tirar objetos de valor da mochila e colocar no bolso da bermuda. Lá pelas tantas o cara desceu e foi aquele alívio. Houve inclusive reclamação de passageiros com o motorista: "Não é pra deixar vagabundo entrar no ônibus!!!"
À noite, seguindo a sugestão dos nossos guias, fomos para o Café Imaginário. Chegamos cedo. Apenas nós, o dono, uma garçom, os ratos e as baratas. Não é brincadeira. Esses últimos nos fizeram companhia por algum tempo. Lá comemos a famosa pizza de jambu. É no mínimo inusitada, devido ao efeito de adormecimento que a língua sofre ao comê-la. O preço valeu pela curiosidade, não tanto pelo sabor. Tudo isso ao som de um bom jazz (lembrem-se que agora faço parte da elite mundial e jazz é meu estilo musical preferido). Depois rolou um som ao vivo com uma bossa nova de qualidade, com um cara tocando uma strato e outro na batera. Depois ficamos sabendo que o bar sofre um assalto por mês. Felizmente o assalto de Maio não foi no dia que estávamos por lá.
No sábado, o plano era conhecer o Mercado Ver-o-Peso, a cidade antiga, o forte e outras atrações. Partimos a pé para o mercado. Andamos por tudo, tiramos fotos, tudo na maior tranqüilidade. O mercado não tem nada de mais, pelo menos para alguém que mora em Manaus e já está meio acostumado com esse tipo de local. Talvez para aqueles que não tem tanta familiaridade com as tradições nortistas, seja um local interessante.




Já saindo do Mercado e indo para o Forte do Castelo, um maluco encostou atrás de mim. Como todo bom carioca descolado, tenho visão 360 graus e sempre estou de olho em tudo nessas situações. Nunca fui assaltado, nem no Rio e nem em lugar nenhum. Às vezes sou até meio paranóico. Não seria um bandidinho desarmado de Belém que conseguiria essa façanha. Foi só o cara chegar perto que eu virei para trás para ver qual era a dele. Ele fez que estava brincando, virou rindo e saiu fora. Um carro encostou buzinando com o motorista falando que ele estava tentando mexer na minha mochila. Ficou só na tentativa. Pena que elevou o stress da viagem. E as coisas daí para frente foram tensas até o fim.
Visitamos o Forte, local com um belo visual para a Baía e para o Mercado.

Ao lado do Forte fica o Museu de Arte Sacra e na mesma praça fica a Casa das 11 Janelas, outro local recomendado por todos. A Casa hoje abriga um museu de arte moderna bem desinteressante e também mais um restaurante para gringo. O que vale mesmo é o visual e foi o local escolhido por nós para curtir o pôr do sol no final da tarde.

Mas antes do pôr do sol, fizemos uma caminhada até a Praça do Carmo, passando pela rua mais antiga de Belém.

Como nos sentimos um pouco desprotegidos na praça, passamos pouco tempo e fomos em busca de um restaurante e uma lanchonete nas redondezas. O restaurante, Taverna São Jorge, estava fechado. A lanchonete, conhecida como Portinha, também. Resolvemos voltar para o hotel para descansar e aproveitar a noite, mas antes passamos pelas Docas para um almoço.
Como não tínhamos feito nenhuma refeição decente até então, escolhemos o restaurante pela comida e não pelo preço. Comemos um delicioso filé de filhote ao molho de aspargos no buffet do Capone. Comer é modo de dizer, como era buffet, nós arrebentamos no filé de filhote.
De volta ao hotel e depois de um descanso, pegamos um táxi para a Casa das 11 Janelas para ver o pôr do sol. De lá nos mandamos para a Portinha. A Bruna comeu um salgado de pupunha com salsicha com guaraná Cerpinha. Eu, ainda com muito filé de filhote no estômago, tomei apenas um guaraná Garoto. Ainda passamos mais uma vez na Taberna São Jorge, mas ainda estava fechada. Falamos com um funcionário e ele disse que abriria em meia hora, mas a informação mais preciosa que ele nos deu foi como chegar ao Forte sem ser assaltado no caminho. Nos mostrou qual seria o menos perigoso, e assim o fizemos.
Perto do Forte existe uma Sorveteria Cairu, uma rede de sorveteria deliciosa. Tomamos um sorvete e encontramos o irmão de um amigo que havia acabado de se mudar para lá. Falamos com ele e pedimos dicas sobre um local que rola um chorinho, Casa do Gilson. Ele estava com um casal de amigos que se prontificou a nos levar lá.
No caminho, eles se perderam e passamos por uma periferia. Pudemos perceber a tensão na voz e nas atitudes deles (travaram as portas, levantaram os vidros e tiveram uma breve discussão). Chegamos são e salvos ao local. Quando entramos estava rolando um sambão. Até que não foi uma má pedida, mas não sou um grande fã de samba, ao contrário da Bruna.
Um par de senhoras nos viu com ar de perdidos lá dentro e nos chamou para ficarmos perto da mesa delas. E lá ficamos até o final do samba. Quando nos preparávamos para ir embora, elas disseram que em pouco tempo iria começar o chorinho. Dona Carmela e a Helô foram muito simpáticas e ficamos batendo papo a noite toda ao som do chorinho.

Por volta da meia-noite, pegamos uma carona com elas e ficamos no hotel. O detalhe é que quando foi pegar o carro, a Helô precisou ser escoltada para que não fosse roubada. Nos deixaram no hotel e partiram para outra farra.
No dia seguinte acordamos, fomos na feira de artesanato da Praça da República e compramos umas besteiras nas Docas como recordação. Fizemos o check out e nos mandamos de volta para o aeroporto.
Fiquei bastante decepcionado com Belém. Para quem conhece o Norte, são poucas as novidades. A questão da segurança é séria e preocupante. Pode acabar com a viagem. No fim, salvaram-se todos, mas não recomendo o passeio para ninguém. Ainda quero conhecer outras partes do Pará, mas Belém agora só de passagem.