segunda-feira, 21 de julho de 2008

Bienvenidos a Buenos Aires

Chegamos em Buenos Aires num belo domingo de sol. Mas que o céu azul não nos deixe enganar. Estamos em pleno inverno. Lá fora 12 graus.

Do aeroporto ao hotel, em Palermo, demoramos cerca de 30 minutos. Fizemos o check-in, colocamos nossas coisas no quarto e saímos para dar uma volta pelo bairro. Fomos até Palermo Soho, lugar com lojas bem legais e uma feirinha. Muita gente na rua. Clima de Buenos Aires e com pouquíssimos turistas. Valeu.

Aproveitamos para comer um belo prato de carne argentina por um preço muito justo.

Já estamos vivendo a atmosfera do lugar...

Fuga Porteña

Os acontecimentos das últimas semanas não me fizeram mudar os planos. A fuga já estava planejada. 15 dias longe da realidade, aproveitando o melhor que a Argentina pode nos oferecer, além de gastar meu espanhol.

Por sorte o hotel oferece serviço de internet gratuito. Vou tentar fazer um relato diário de tudo que acontece com a gente por aqui.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Cartas marcadas

Estou pagando o preço por não achar brilhantes idéias medíocres, por não achar engraçadas piadas ruins, por não sorrir forçado, por não ser grato por favores que não recebi.

Era um jogo de cartas marcadas. Não vou dizer que paguei para ver. Não tinha cacife. Mas digamos que joguei duro. Era só isso que estava ao meu alcance.

Ficou a impressão que perdi. A banca acha que eu perdi, o crupiê também, os outros na mesa também têm essa mesma impressão. Tudo bem, deixemos eles pensarem assim. Era por essa sensação que eles estavam esperando.

Apenas me deixa triste saber que o curinga entrou no jogo de repente e de forma estranha, quando eu tinha nas mãos um jogo alto, suficiente para ganhar a rodada.

Agora vou mudar de mesa. Procurar uma em que o jogo seja um pouco mais limpo, onde cartas não aparecem durante a rodada. Talvez não jogue tão duro...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

O reino do mal

Sempre fui inocente. Acredito na bondade das pessoas, não consigo perceber segundas intenções. Acho que, assim como eu, ninguém age por maldade. Tolice... acabo quebrando a cara. E o pior, isso me atinge o estômago como um soco. Por vezes me derruma.

Tenho amigos que pensam o contrário, que o mundo é mau e o mal reinará. E não é por causa disso que agem desta forma também. Seguem seus princípios, princípios bons. Infelizmente tenho que concordar com esse pensamento. As pessoas agem em benefício próprio e se for necessário destroem quem quer que seja para que consigam alguma vantagem.

Poucos são aqueles que podemos considerar amigos, aqueles em quem podemos confiar. Um sorriso nem sempre traz sinceridade. Um abraço pode ser dado com um punhal nas costas. As vezes acho que estou numa alcatéia que usa pele de cordeiro.

Independente disso, continuarei usando meus princípios como linha mestre. Não vou fugir deles. Agora, o que tenho que aprender é que o mundo é mau. Tenho que começar a me defender. Começar? Na verdade, talvez tenha que aprender.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Paris

Cheguei em Paris e encontrei meu primo Leandro no próprio aeroporto. O vôo dele chegou uma hora antes do meu. De lá pegamos um ônibus até seu hotel, perto da Ópera e encontramos a Cris. Para não perder tempo, resolvemos dar uma explorada na cidade. Fomos a pé até o Louvre.

O Louvre

De lá decidimos que iríamos para a torre Eiffel, sem dúvida o maior e mais belo símbolo de Paris. Mais uma caminhada longa.


Já na torre, depois de muita fila, subimos para curtir o visual.




A ser continuado...

E lá vou eu de novo

O trabalho acabou. Agora são 3 dias livres. Como falei num post anterior, vou para Paris encontrar a Cris e meu primo Leandro.

Percurso: trem para Munique e avião para Paris. Depois de todos os outros traslados, esse está muito fácil. :-)

Ulm

Fui a Ulm a trabalho, mas tenho um amigo que mora por lá. Então consegui juntar três coisas numa viagem só: trabalho, turismo e reencontrar o Dennis, o amigo em questão.

Como os dias andam longos na Europa por conta do verão, saí do trabalho, passei em outro médico e ainda me sobrou tempo para dar uma volta pelo centro da cidade. Ulm é uma pequena cidade típica alemã. O que eu não sabia até então é que se trata da cidade onde Albert Einstein nasceu e que também possuiu a igreja mais alta do mundo.





Uma parte da fachada da igreja (não consegui enquadrá-la toda)


O Dennis é esse maluco do meu lado. Tem cara de mau mas quem conhece sabe que é só a cara. Gente boa para caramba!!! No pouco tempo que tivemos, trocamos umas idéias e e assistimos ao jogo da Alemanha contra Portugal pela Eurocopa num bar. Valeu muito a visita.

Finalmente em Ulm

Quando eu disse que a viagem entre Groningen e Ulm não seria fácil, não imaginava que seria tão complicada. Peguei um trem para Amsterdã, depois um vôo para Munique. No aeroporto comprei um bilhete para Ulm. Por conta do horário, ou da má vontade da atendente, só foi possível chegar no meu destino depois de pegar 3 trens diferentes!!! Calma, faltou o táxi para o hotel...

Resumindo. Saí de Groningen por volta de 13:30 e cheguei no meu hotel às 00:30 do dia seguinte. Completamente moído.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

É hora de partir

O tempo em Groningen acabou. Próximo destino: Ulm, na Alemanha. Mas não vai ser fácil, nem rápido. Saio de Groningen às 14hs, pego um trem para Amsterdã, de lá um vôo para Munique, depois um trem até a estação central da cidade e por último um outro de lá até Ulm.

Um pouco mais sobre Groningen

Groningen é uma cidade universitária situada no norte da Holanda. Com um povo muito educado e hospitaleiro, a cidade possui uma das maiores e mais importantes universidades do país. A cidade tem algumas peculiaridades.


Agora, no início do verão, os dias são muito longos. Fica escuro a partir das 11 da noite e às 3 da manhã já é possível ouvir os pássaros cantarem. Já dá para imaginar a confusão que se cria em alguém que está com 6 horas de diferença no fuso e acostumado a dormir por volta das 22 com a noite plena.

Outro fato interessante é o meio de transporte mais utilizado pelos os moradores. A bicicleta. A pequena cidade possui ciclovias por quase toda sua extensão. Isso faz com que a população pedale para todos os lados. É tudo muito organizado. As ciclovias têm regras, sinais de tráfego e preferências. Dá gosto morar num lugar com esse tipo de estrutura. Poderia ser a solução para alguns problemas de trânsito no Brasil.



Estacionamento de bicicletas em frente à Universidade de Groningen


Além disso, a cidade é cortada por inúmeros canais e tem bastante barcos. Como as ruas invariavelmente cortam esses canais, ela possui várias pontes elevadiças, que fazem com que o trânsito tenha que parar de vez em quando.


Mas o que mais me chamou a atenção foi a hospitalidade de todo o povo, cujo domínio do inglês beira os 100%. Muito fácil para o turista.

A Torre de Groningen

Diário de Groningen em um post

Desde sábado quando cheguei, minha garganta está inflamada. Piorou, melhorou, ardi em febre, suei depois, fiquei indisposto, em seguida disposto, mas até agora nada dela desinflamar. Essa foi minha tônica em Groningen.

No domingo encontrei alguns brasileiros no lobby do hotel. Com eles fui até o centro e sentamos para comer alguma coisa. De noite, fiquei muito mal e lá pelas duas da matina me mandei para um hospital. Duas coisas me chamaram a atenção: a boa vontade e a educação do povo e a passividade do médico. As moças que me atenderam na recepção me trataram muito bem e resolveram tudo com minha companhia de seguros de viagem. Tenho que ser sincero, dei muito trabalho para ambas e em nenhum momento tiraram o sorriso do rosto. Por outro lado, o médico, depois de me examinar rapidamente, falou que eu tinha uma infecção viral na garganta e que em 4 ou 5 dias eu ficaria bom. E pronto.

Nos outros dias, pouco saí do hotel. A garganta me incomodava demais. Como não tinha nada muito perto do hotel, ou eu ia ao restaurante do próprio hotel, ou não comia nada. E assim os dias passaram até meu último dia, quando, um pouco mais disposto mas ainda com a garganta inflamada, fui com um grupo de brasileiros que conheci por lá passear pelo centro da cidade, comprar umas lembranças e jantar.

E assim foi em Groningen.

Sumiço

Era para ter escrito todo dia, contar um pouquinho do que eu percebia, do que acontecia, do que eu descobria, mas não deu. Vou aproveitar essa folga agora para colocar as coisas de volta ao lugar.

sábado, 14 de junho de 2008

Groningen

Groningen é uma cidade de pouco menos de 200 mil pessoas ao norte da Holanda. São 6 horas de diferença de fuso em relação a Manaus e 5 em relação ao Rio.


Não andei muito por aí. Primeiro por conta da limitação de roupa, segundo porque estou muito cansado. Resolvi tirar o resto do dia para descansar no hotel. Está fazendo mais frio do que eu imaginava, mas acostumo rápido. Ainda bem que sempre ando com um casaco na minha bagagem de mão.

Uma coisa que não tinha me tocado e só dei conta aqui é que escurece muito tarde. Às 22 horas ainda estava claro. Agora, meia noite, já escureceu.

A viagem foi muito cansativa então caí no sono cedo. Vacilei. Deveria ter tentado ficar mais tempo acordado para acostumar com o fuso. O resultado é que estou sem um pingo de vontade de dormir.

De trem para Groningen

Tenho que confessar, já estava bastante cansado quando cheguei em Amsterdã. Doido por um banho, uma cama e um prato cheio. Mas ainda tinha que viajar duas horas e meia de trem até Groningen. E assim segui meu destino, com direito a troca de trem e tudo no meio do caminho. É impressionante como o horário dos trens europeus é preciso. Na minha troca de trens, eu chegaria na estação às 14:35, trocaria de trem e sairia às 14:38. Batata, não deu outra. Tudo muito pontual.

No final foram 36 horas de viagem até chegar Groningen. Cansado e sem mala. A vantagem de ter a mala extraviada é que não precisei ficar carregando mala para lá e para cá. A parte ruim é só ganhar uma blusa e um par de meias da KLM. Pelo menos serviu de desculpas para só dar uma volta nas redondezas do hotel e voltar para o quarto. Usar a mesma roupa 3 dias não rola.

A companhia aérea falou que minha bagagem chegaria hoje por volta das 19 horas, mas já fui avisado que só a terei amanhã de manhã.

Chegando em Paris e seguindo para Amsterdã

O vôo para Paris não teve nada de mais. A única coisa interessante durante o vôo é que nesse 777 que viajei, as TV's individuais tem programção sob demanda. Antigamente, você assistia ao filme que começaria a tal hora. Agora você escolhe quando quer começar a assistir.

Cheguei em Paris com 12 graus e quando passei pelo controle de passaporte, o policial só verificou se estava válido. Não me deu o carimbo do visto. Achei estranho, mas como esse povo é muito mal humorado, não questionei. Ou receberia o carimbo mais à frente ou quando chegasse em Amsterdã.

Embarquei novamente, cheguei na Holanda, passei pela alfândega em Amsterdã e nada. Ou seja, entrei na Europa sem visto. Estou ilegal! Conversei com alguns policiais holandeses no aeroporto e eles disseram que não haveria problema. Bastaria mostrar o meu ticket de embarque em São Paulo com minha data de chegada em Paris.

Ahh... mais um detalhe que já ia esquecendo. Eu cheguei em Amsterdã, minha mala não.

Dormindo em Guarulhos

Saí de Manaus na 6a às 00:25. Tive aquele sono leve no avião. Cheguei em São Paulo moído e fui recebido por uma temperatura de 14 graus. Minha conexão só sairia às 16:30. Precisava dormir. Descobri um serviço legal em Guarulhos. Chama-se Fast Sleep. Um hotel que aluga quartos por hora. Na verdade são cabines de 4,5m2 com um beliche. Tem TV e acesso à Internet. Também é possível tomar banho.

Salvou minha vida. Dei uma boa dormida e ainda tomei uma ducha. No final, o preço é salgado (R$126,00), mas foi de muito valor. Se tivesse ficado esperando no saguão do aeroporto, estaria quebrado logo no começo da viagem

Na correria

Saí correndo, mal tive tempo de avisar as pessoas. Estou em uma "tour" pela Europa de dez dias. Na maior parte a trabalho, mas não deixa de ser bom. Vou a Groningen (Holanda) para um congresso, depois vou para Ulm (Alemanha) para trabalhar e no fim passo em Paris para conhecer a cidade luz e encontrar essa amiga aqui.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

À procura de um nome

Estamos juntos há uns 3 anos. Na bagagem muito estúdio e pouco show. Entrou integrante, saiu integrante, uns ensaiaram só uma vez, outros ficaram só na promessa. Já tivemos convidados, visitas, pessoas ilustres. Não tínhamos estilo, não tínhamos formação, não tínhamos repertório.

Hoje somos nós 3. Temos um estilo. Temos uma cara. Temos identidade. Cada um sabe o que tem que fazer. Cada um sabe o que o outro vai fazer. A confiança é mútua. O som está fluindo. Está intenso. Está sincero.

Mas ainda nos falta uma coisa antes de botar a cara a tapa por aí. Um nome. Precisamos de um nome...

domingo, 8 de junho de 2008

Pensamentos baratos

Queria escrever sobre a realidade, mas isso já tenho feito.
Queria escrever sobre o futuro, mas não consigo imaginá-lo.
Queria escrever sobre agora, mas está tudo igual.
Queria escrever sobre sobre ela, mas não quero soar piegas.

Queria escrever música, mas as melodias não combinam.
Queria escrever letra, mas não passo da primeira estrofe.
Queria escrever um livro, mas não imagino nem o assunto.
Queria escrever, só escrever...

domingo, 25 de maio de 2008

Belém

Estou há 3 anos e meio em terras do Norte e pouco conheço por aqui. Basicamente porque qualquer tipo de viagem pela região é complicada, requer tempo e dinheiro. E sempre que possuo os ingredientes dessa combinação, resolvo ir para a praia ou visitar o sul maravilha. Dessa vez foi um pouco diferente. Eu e a Bruna, durante esse feriadão, resolvemos conhecer Belém, tão mal falada por uns e adorada por outros.

Antes de irmos, coletei informações com a Clarice, em quem eu confio plenamente porque conheço o gosto dela e ela o meu, e a Bruna falou com alguns amigos paraenses também. Baseado nisso, montamos nosso roteiro. Engraçado que as dicas foram praticamente as mesmas. Até os lugares bem escondidos foram citados por todos.

A fama que Belém tem em Manaus é de uma cidade perigosa, violenta, infestada de ladrões. Conversei com algumas pessoas locais antes de irmos para nos certificarmos e nos sugeriram que fossemos precavidos.

E realmente, a principal coisa que fizemos por lá foi tentar não sermos assaltados. Quando sobrava tempo, a gente conhecia alguns lugares. Uns legais, outros muito legais e outros que eram perda de tempo.

Chegamos na 5a de noite, muito tarde. Pegamos um táxi, cujo motorista era muito kamikaze, e fomos direto para o hotel. Tentamos botar a cara na rua depois do check-in, mas não havia vida por perto. Voltamos para o quarto para uma boa noite de sono. Ficamos hospedados no Hotel Grão Pará. Tenho que ser sincero, no site ele parecia bem melhor. É um hotel antigo, com serviço ruim e com um café da manhã bem pobre. Sua maior vantagem é a localização, bem em frente à Praça da República.

Na 6a saímos de manhã e fomos conhecer o Theatro da Paz, na Praça da República. Bem legal. Ele é um pouco mais antigo que o Teatro Amazonas em Manaus. Eu particularmente gostei muito dele por dentro.


Depois, andando, fomos até a Basílica de Nazaré, muito visitada na época do Círio, e o parque Emílio Goeldi. O parque foi recomendado por muitos, mas foi uma das maiores decepções da viagem. Está havendo uma grande reforma, então o aquário e a casa dos répteis estão fechados. O peixe-boi morreu de velhice, não tem restaurante e pouca informação. Frustração.

Resolvemos ir andando até as Docas e almoçar por lá. O local é muito bonito, visual deslumbrante, todo conservado, seguro, às margens da Baía do Guajará.



Andamos por alguns restaurantes e só encontramos pratos caríssimos, coisa para gringo. Acabamos desistindo. Imaginávamos que poderíamos encontrar locais com boa comida e mais baratos mais tarde.

Em seguida partimos para o Mangal das Garças. Pegamos um ônibus perto das Docas e a cobradora deixou a gente na cara do gol. O Mangal das Garças é um parque em um dos cantos da cidade.


Tentamos almoçar por lá também, mas preços impraticáveis nos forçaram a comer um salgadinho mesmo. Do lado do parque fica o Mormaço, local onde rola um carimbó nervoso, mas essa semana a casa só abriria no domingo por conta do falecimento do dono. Ficou só no visual então.

Voltamos ao hotel em um ônibus que tinha um malandro muito estranho. Todos no coletivo ficaram assustados com a presença do cara. Eu realmente pensei que fosse haver um assalto e comecei a tirar objetos de valor da mochila e colocar no bolso da bermuda. Lá pelas tantas o cara desceu e foi aquele alívio. Houve inclusive reclamação de passageiros com o motorista: "Não é pra deixar vagabundo entrar no ônibus!!!"

À noite, seguindo a sugestão dos nossos guias, fomos para o Café Imaginário. Chegamos cedo. Apenas nós, o dono, uma garçom, os ratos e as baratas. Não é brincadeira. Esses últimos nos fizeram companhia por algum tempo. Lá comemos a famosa pizza de jambu. É no mínimo inusitada, devido ao efeito de adormecimento que a língua sofre ao comê-la. O preço valeu pela curiosidade, não tanto pelo sabor. Tudo isso ao som de um bom jazz (lembrem-se que agora faço parte da elite mundial e jazz é meu estilo musical preferido). Depois rolou um som ao vivo com uma bossa nova de qualidade, com um cara tocando uma strato e outro na batera. Depois ficamos sabendo que o bar sofre um assalto por mês. Felizmente o assalto de Maio não foi no dia que estávamos por lá.

No sábado, o plano era conhecer o Mercado Ver-o-Peso, a cidade antiga, o forte e outras atrações. Partimos a pé para o mercado. Andamos por tudo, tiramos fotos, tudo na maior tranqüilidade. O mercado não tem nada de mais, pelo menos para alguém que mora em Manaus e já está meio acostumado com esse tipo de local. Talvez para aqueles que não tem tanta familiaridade com as tradições nortistas, seja um local interessante.








Já saindo do Mercado e indo para o Forte do Castelo, um maluco encostou atrás de mim. Como todo bom carioca descolado, tenho visão 360 graus e sempre estou de olho em tudo nessas situações. Nunca fui assaltado, nem no Rio e nem em lugar nenhum. Às vezes sou até meio paranóico. Não seria um bandidinho desarmado de Belém que conseguiria essa façanha. Foi só o cara chegar perto que eu virei para trás para ver qual era a dele. Ele fez que estava brincando, virou rindo e saiu fora. Um carro encostou buzinando com o motorista falando que ele estava tentando mexer na minha mochila. Ficou só na tentativa. Pena que elevou o stress da viagem. E as coisas daí para frente foram tensas até o fim.

Visitamos o Forte, local com um belo visual para a Baía e para o Mercado.


Ao lado do Forte fica o Museu de Arte Sacra e na mesma praça fica a Casa das 11 Janelas, outro local recomendado por todos. A Casa hoje abriga um museu de arte moderna bem desinteressante e também mais um restaurante para gringo. O que vale mesmo é o visual e foi o local escolhido por nós para curtir o pôr do sol no final da tarde.


Mas antes do pôr do sol, fizemos uma caminhada até a Praça do Carmo, passando pela rua mais antiga de Belém.


Como nos sentimos um pouco desprotegidos na praça, passamos pouco tempo e fomos em busca de um restaurante e uma lanchonete nas redondezas. O restaurante, Taverna São Jorge, estava fechado. A lanchonete, conhecida como Portinha, também. Resolvemos voltar para o hotel para descansar e aproveitar a noite, mas antes passamos pelas Docas para um almoço.

Como não tínhamos feito nenhuma refeição decente até então, escolhemos o restaurante pela comida e não pelo preço. Comemos um delicioso filé de filhote ao molho de aspargos no buffet do Capone. Comer é modo de dizer, como era buffet, nós arrebentamos no filé de filhote.

De volta ao hotel e depois de um descanso, pegamos um táxi para a Casa das 11 Janelas para ver o pôr do sol. De lá nos mandamos para a Portinha. A Bruna comeu um salgado de pupunha com salsicha com guaraná Cerpinha. Eu, ainda com muito filé de filhote no estômago, tomei apenas um guaraná Garoto. Ainda passamos mais uma vez na Taberna São Jorge, mas ainda estava fechada. Falamos com um funcionário e ele disse que abriria em meia hora, mas a informação mais preciosa que ele nos deu foi como chegar ao Forte sem ser assaltado no caminho. Nos mostrou qual seria o menos perigoso, e assim o fizemos.

Perto do Forte existe uma Sorveteria Cairu, uma rede de sorveteria deliciosa. Tomamos um sorvete e encontramos o irmão de um amigo que havia acabado de se mudar para lá. Falamos com ele e pedimos dicas sobre um local que rola um chorinho, Casa do Gilson. Ele estava com um casal de amigos que se prontificou a nos levar lá.

No caminho, eles se perderam e passamos por uma periferia. Pudemos perceber a tensão na voz e nas atitudes deles (travaram as portas, levantaram os vidros e tiveram uma breve discussão). Chegamos são e salvos ao local. Quando entramos estava rolando um sambão. Até que não foi uma má pedida, mas não sou um grande fã de samba, ao contrário da Bruna.

Um par de senhoras nos viu com ar de perdidos lá dentro e nos chamou para ficarmos perto da mesa delas. E lá ficamos até o final do samba. Quando nos preparávamos para ir embora, elas disseram que em pouco tempo iria começar o chorinho. Dona Carmela e a Helô foram muito simpáticas e ficamos batendo papo a noite toda ao som do chorinho.

Por volta da meia-noite, pegamos uma carona com elas e ficamos no hotel. O detalhe é que quando foi pegar o carro, a Helô precisou ser escoltada para que não fosse roubada. Nos deixaram no hotel e partiram para outra farra.

No dia seguinte acordamos, fomos na feira de artesanato da Praça da República e compramos umas besteiras nas Docas como recordação. Fizemos o check out e nos mandamos de volta para o aeroporto.

Fiquei bastante decepcionado com Belém. Para quem conhece o Norte, são poucas as novidades. A questão da segurança é séria e preocupante. Pode acabar com a viagem. No fim, salvaram-se todos, mas não recomendo o passeio para ninguém. Ainda quero conhecer outras partes do Pará, mas Belém agora só de passagem.